Efeito Borboleta x Dilemas Cotidianos

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Quantas escolhas fazemos desde a hora que acordamos até a hora que vamos dormir? Desde pequenas decisões de coisas simples ou banais, até outras maiores e deveras importantes. O que iremos comer, qual trajeto faremos para nos deslocar de casa ao trabalho, vamos adotar uma postura séria ou sorrir para os estranhos na rua, aceitar uma proposta de emprego ou ficar onde está…
O dicionário Michaelis On-line traz duas acepções para a palavra DILEMA:
A primeira, em um sentido de LÓGICA, é o raciocínio que estabelece premissas contraditórias e excludentes, mas que acabam por dar fundamentos para uma mesma conclusão e a segunda, em um SENTIDO FIGURADO, é uma situação embaraçosa entre duas soluções fatais, ambas difíceis ou penosas.
Para realizar as escolhas, podemos agir por impulso ou analisar friamente os pontos positivos e negativos. Sem dúvida, o meu estilo combina mais com a segunda opção na esmagadora maioria das vezes.
Meu primeiro passo é fazer uma lista dos pontos positivos e negativos, tanto no cenário A, quanto no B, partindo do meu conhecimento prévio.
Segundo passo é conversar com as pessoas, peço opiniões e conselhos, muitas vezes fico muito confusa: “Não troque o certo pelo duvidoso” ou “Saia da sua zona de conforto”.
Terceiro passo é refletir quais seriam os piores cenários possíveis dentro de cada uma das escolhas para, então, finalmente, tomar a minha decisão.
A zona de conforto é aquele sentimento de segurança e controle, mas nem sempre é algo genuíno. Será que temos mesmo toda essa segurança e domínio que achamos que temos? Às vezes, o contexto está tão ruim, mas o medo nos impede de sair dessa zona de (des)conforto.
Mudar requer lidar com a falta de autoconfiança, com a síndrome do impostor, saber dosar a opinião alheia (a requisitada e a recebida sem aviso-prévio), encarar desafios e problemas, entrar em uma nova zona de aprendizado adquirindo novas habilidades e ter a oportunidade de reconfigurar a sua imagem.
“É só uma escolha!” Não, nunca é só uma escolha. Toda escolha traz consequências. Você já viu o filme “Efeito Borboleta”? Foi lançado em 2004 no Brasil e nele o personagem principal consegue voltar ao passado e mudar suas escolhas, mas isso vai causando consequências que ele não consegue prever. A vida dele vira um cubo mágico: arruma um lado, bagunça o outro.
O EFEITO BORBOLETA foi descoberto em 1960, pelo matemático Edward Lorenz, baseado na Teoria do Caos, e analisa como pequenas alterações nas condições iniciais de grandes sistemas, podem gerar transformações drásticas e significativas. A frase que ilustra esse efeito é: “Uma borboleta batendo asas no Brasil pode causar um furacão no Texas”.

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Deixe-me colocar o meu monóculo

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Em uma reunião de trabalho…

Pessoas normais:
É preciso ter um entendimento global da situação antes de fazer uma proposta ou de consultar um especialista.

Pessoas pedantes:
É condição sine qua non para um entendimento holístico da situação antes de fazer uma proposição ou consultar alguém com expertise no assunto.

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Faz-me rir

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26 de fevereiro é o dia do comediante.
Os inputs (entradas) em um processo de comédia podem ser diversos, mas o output (saída) desejado é sempre o rir ou, pelo menos, o sorrir.
Dizem que o sorriso movimenta 12 músculos faciais e o riso, 24.
Rimos/sorrimos de forma espontânea ou influenciados por um grupo quando há uma quebra no que era esperado.
“Se alguém tiver alguma coisa contra esse casamento, guarde para você. Eu nem sei por que diabos você foi convidado”.
A frase célebre é: “quem tiver alguma coisa contra esse casamento, fale agora ou cale-se para sempre”.
Fazer rir não é tarefa fácil.
Para Oscar Wilde, “por detrás da alegria e do riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer, a dor não usa máscara.”
Parece existir uma ligação entre comediantes e a depressão. Pesquisadores da Universidade de Oxford realizaram um estudo com 523 comediantes e descobriram que eles possuem um perfil altamente psicótico.
Pensando aqui, isso justifica a excentricidade e a criatividade acima da média. O que faz com que consigam quebrar paradigmas, nos supreender e nos fazer rir, mesmo quando muitas vezes estão sofrendo por dentro.

“Eu te faço rir para conseguir meu faz-me rir*”, diz o palhaço.

*Faz-me rir é uma gíria para dinheiro

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A matemática explica ao menos uma parte da tragédia

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  • Professora! Eu não entendo PA e PG. Simplesmente não entra na minha cabeça.
  • Calma, tu vais entender.Progressão é uma sequência numérica que segue uma lógica. Na Progressão Aritmética, PA, temos que pensar que o intervalo entre os números será sempre o mesmo.
    Exemplo: 2, 4, 6, 8, 10 e assim por diante.
    Então podemos dizer que a1=2, a2=4 e por aí vai.
    A razão é esse intervalo, que chamamos de r, que sempre se repete. a2-a1 = 4-2 = 2.
    A fórmula é an = a n-1
  • r

“n” é qualquer ordem na sequência = o que queremos descobrir.

Naquele nosso primeiro exemplo: a1= 2 / a2= 4/
Como eu descubro o a3?
Eu sei que o r é 2
a3 = a3-1 + r
a3 = a2 + 2
a3 = 4+2
a3 = 6
Vamos para um exemplo prático. Tu gostas de futebol?

  • Opa
  • Copa do mundo é de 4 em anos. Então já sabemos o nosso r.
    r= 4
    Se eu pensar que o nosso a1= 1994, a2=1998…
    Qual seria o evento a7?
    É só aplicar a fórmula:
    a7 = a1 + (7-1).r
    a7 = 1994 +6.4
    a7 = 1994+24
    a7 = 2018

Ou seja, entre a copa de 1994 (evento 1) e a de 2018 (evento 7) ocorreram 6 eventos.

  • Perfeito! E PG?
  • Enquanto a PA segue uma regra de soma, a Progressão geométrica, PG, segue a lógica de multiplicação.
    Então, para achar a razão, aqui chamamos de q, precisamos pegar o termo 2 e dividir pelo termo 1.
    Sequência para exemplo
    1, 2, 4, 8, 16
    q=4/2 =2

A fórmula é
an = a1.q elevado a n-1

Exemplo: para achar o a4
a4 = a1. q elevado a 4-1
a4 = 1.2 elevado a 3
a4 = 1.8
a4:= 8

E na prática, vamos pensar no exemplo mais triste.
Dia 1 de março = a1 = 1 caso de covid
Faz de conta que essa pessoa infectou outras 2
Dia 2, a2= 3 pessoas
Dia 3, a3 = 6 pessoas

Já temos a nossa razão q.
3 dividido por 1 = 3

Vamos pensar no dia 7 (a7), uma semana, teríamos quantos infectados?

an = a1.q elevado a n-1
a7 = a1. 3 elevado a 7-1
a7 = 1 . 3 elevado a 6
a7 = 1 x 729
a7 = 729

No dia 7 teríamos 729 casos, mesmo começando no dia 1 com apenas 1 infectado.
Por isso estamos vivendo essa tragédia, mesmo sabendo disso o Governo não tomou as providências cabíveis e chegamos à triste marca de 250 mil mortos após um ano de Pandemia.

Ps.: Eu sei que, se você leu até aqui e sabe que sou de Humanas, vai caçar e provavelmente achar algum erro no meu raciocínio. Por favor, dê-me um toque.

Como conduzir uma investigação

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Crime: Alguém comeu o meu pedaço de bolo de cenoura com cobertura de chocolate
Cenário: Uma república onde moram 5 pessoas

Passos:
1° coletar depoimentos.
Suspeito 1. Não fui eu. Eu nem ligo para doces, você sabe muito bem disso.
Suspeito 2. Eu não gosto de bolo com cobertura, prefiro o bolo puro para comer com café. Todo mundo aqui na casa está careca de saber disso.
Suspeito 3. Estou com intolerância à lactose. Nem tem cabimento comer seu bolo para passar mal depois.
Suspeito 4. Eu nem estava em casa. Estava em uma viagem a trabalho.

2° coletar provas.
Suspeito 1. Eu não tenho como provar que não fui eu. É só pensar que nem no meu aniversário eu comi do bolo porque eu não ligo para doce. Se eu tivesse comido agora seria só para te afrontar, mas estamos nos dando super bem. Enfim, sem provas materiais, porém com argumentos coerentes e consistentes.
Suspeito 2. Eu até como bolo com cobertura, mas eu não costumo comer nada que não seja meu sem consultar os outros. Você lembra de algum episódio que eu tenha agido diferente do que estou relatando? Provas? Não tenho, mas acredito que a minha palavra tenha valor.
Suspeito 3. Tá aqui o meu exame. Intolerante à lactose. Pode consultar o CRM do meu médico. Que constrangedor isso.
Suspeito 4. Prova? Claro que eu tenho. Achava que a minha palavra bastava, mas tá aqui ó, o e-mail da compra da passagem. Não fui eu não.

3° procurar objetos e examinar o local do crime.
Há farelo de bolo caído dentro da geladeira e a embalagem não está no lixo, logo quem comeu o bolo sabia que era errado, mas ainda assim deixou vestígios. Quem costuma deixar farelos caídos dentro da geladeira? Suspeito 2, sem dúvidas.
Quartos dos suspeitos 2, 3 e 4: tudo ok, quarto do suspeito 1: um pratinho de sobremesa sujo de chocolate.

4° elaborar conclusões preliminares.
Os suspeitos 3 e 4 possuem provas materiais e nada de questionável foi apurado no passo 3.

5° realizar acareação.

Confrontar as versões do Suspeito 1 e do Suspeito 2 colocando-os face a face.
Investigador: – Suspeito 1, o suspeito 2 alega que não comeu o bolo pois prefere sem cobertura para apreciar com café. Você concorda com essa afirmação?
Suspeito 1: – É verdade, mas no fatídico episódio estávamos sem café em casa, o que me faz pensar que ele pode ter aberto essa exceção e consumido a sobremesa apesar da cobertura. E eu posso provar. Como o café havia acabado, eu saí no dia seguinte e comprei. Aqui está a notinha.
Suspeito 2: – É verdade que o café havia acabado, mas isso não prova que fui eu.
Investigador: – É, Suspeito 2, seu argumento caiu por terra. Vamos prosseguir… O suspeito 1 disse que nem gosta muito de doce, você concorda com essa afirmação?
Suspeito 1: – Na verdade não. Ele realmente não come doce sempre, mas quando come, come muito. O que talvez justificasse ter comido o pedaço inteiro. E outra coisa? Quem aqui na casa deixa migalhas dentro da geladeira quando come?
Suspeito 2: – Investigador, ele fez isso para me incriminar. Você nem mencionou que havia migalha na geladeira.
Investigador: – Suspeito 1, eu te declaro culpado! Além de não ter mencionado sobre a migalha, encontrei um pratinho de sobremesa sujo de chocolate dentro do seu quarto. Pena: limpar a casa sozinho por uma semana e comprar um bolo de cenoura bem grandão com cobertura de chocolate da @nocaprichoquitutes para todos e não comer nem um pedaço sequer.

Esboço de cenário feito por duas pessoas distintas

Esboço 1
No apartamento da Eunice há tantos objetos que parece que ela acabou de se mudar e ainda não colocou as coisas no lugar. Muitos e muitos itens de decoração, mas de todos o que mais me impressionou foi uma coruja de pedra ametista. Que cor absurdamente linda, mas o tamanho do objeto é totalmente desproporcional ao tamanho do apartamento. A minha impressão é que ela possui um alto poder aquisitivo, mas por morar sozinha optou por um espaço pequeno, mas em vez de aconchegante, ficou sufocante.
A quantidade de espelhos me faz pensar que ela leu esses manuais para espaços pequenos. Muitos deles que dizem que espelhos deixam a sensação de aumentar o espaço, mas aumenta também o reflexo das quinquilharias. Sinceramente, não sei foi uma boa ideia.

Esboço 2
O apartamento da Eunice fica perto de uma estação de metrô, tão fácil acesso, baita ponto positivo. É um espaço pequeno, ideal para ela quem mora só. O apartamento é muito alegre e colorido. Existem muitas flores naturais em todos os cantos. As gérberas rosas eram esplêndidas. Nunca tinha visto uma naquele tom. Acredito que a autoestima dela deva ser elevada pois há espelho por toda parte: achei isso incrível ainda mais por se tratar de uma mulher por volta dos 50, pelo que parece pela foto no porta-retrato e onde é possível perceber que ela assumiu os cabelos brancos.

Alguém está mentindo? Não, ou pelo menos não necessariamente.
O esboço 1 não fala das flores e o 2 não menciona o excesso de objetos.
Percepções…

Ossos do ofício salvando a própria pele

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As coisas andavam desalinhadas de um jeito que eu não sentia vontade de nada além de dormir. Queria mesmo era desaparecer. Resolvi, então, escrever minha carta suicida.

“Eu pensei muito a respeito, a respeito do que diria aqui para vocês. Sempre foi claro que eu escreveria uma última carta por causa da minha necessidade de me justificar. Mas como explicar o inexplicável? As pessoas se perguntam: mas se matou porquê? Não é assim: causa e consequência de forma clara assim. Fico pensando no quanto essas minha atitude irá impactar na vida vocês…”

Nem cheguei a terminar e senti uma necessidade muito forte de revisar, força do hábito.
Comecei muito mal, repetindo termos como “a respeito” , “claro/clara”, “assim” e os porquês, sempre preciso pesquisar. A regência do verbo impactar está incorreta. Anos e anos trabalhando como revisora, o meu último texto precisa ser impecável.

Versão 2:

“Eu pensei muito a respeito, sobre o que eu diria aqui para vocês. Sempre foi evidente que eu escreveria uma última carta por causa da minha necessidade de me justificar, mas como explicar o inexplicável? As pessoas se perguntam: Fulano se matou por quê? Não é assim: causa e efeito combinando de forma tão clara. Fico me indagando no quanto essas minha atitude irá impactar a vida vocês…”

Troquei também algumas palavras, vocabulário mais rebuscado, mas não tanto para não exagerar.
Pense que ridículo seria ter que recorrer ao Aurélio para entender uma carta suicida.
“A respeito, sobre”, que construção estranha.

“Eu pensei muito a respeito do que eu diria aqui para vocês”

Sintético, mas muito melhor.

“Indagar no quanto”, essa regência está adequada?
Não. É óbvio.

“Fico me indagando acerca do quanto essa minha atitude irá impactar a vida de vocês…”

Pergunta besta, não é?! Sempre impacta demais. Tem até termo para os que ficam: enlutados.

Não gostei muito nem dessa segunda versão. Na verdade, estou insegura. Será que passou mais algum erro? Não fiz também aquela estrutura de introdução, desenvolvimento e conclusão. Ô Rita, isso aqui não é uma redação do Enem não, minha filha! A estrututura é diferente mesmo! Queria tanto passar para um colega revisar… Acho que deixaria meu coração mais em paz. Entretanto, sei que essa ideia não tem cabimento.

Vou deixar esse rascunho aqui, só para servir de inspiração, amanhã começo de novo.

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Mosca-de-banheiro: uma mini bio inusitada.

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Função social: Ver a gente pelado.
Poder: Petulância e coragem. O atrevimento é tamanho que você dá um soco ao lado dela, tenta afogá-la com a água do chuveiro e ela permanece plena.
Habitat: Ambientes úmidos como banheiro e locais onde haja ralo, esgoto ou fossa.
Família: Psychodidae
Hábitos: Noturnos
Alimentação: matéria orgânica (resto de pele, cabelo…).
Reprodução: As fêmeas botam de 10 a 200 ovos que levam de 32 a 48 horas para eclodir.
Significado: Ela aparece quando os métodos de lavar o ralo do banheiro ou da pia não estão adequados.
Eliminação: Água sanitária ou produtos que contenham cloro.

Microconto de terror

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Acordei com a roupa cheia de sangue, ao lado de uma sepultura, sem nenhuma memória e um bilhete no bolso com os dizeres:
“Para ouvir a voz de Deus
primeiro você precisa calar a voz do seu ❤️”.

Imagem:
https://pixabay.com/pt/vectors/tinta-red-ondular-abstract-pintura-303244/

Close errado

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AINDA BEM NOVINHA,
aprendi a fazer bolinha de chiclete com o meu irmão
É um tutorial com diversos passos, mas confesso que ele foi um bom professor.
Primeira dica é deixar o chiclete bem mascado, ok? Aí você estica ele dentro da boca e achata (se não conseguir, pode esticar na palma da mão até pegar o jeito), enfia a língua bem no meio e assopra. Depois é só recolher a língua e pronto.
Eu tava craque nisso, nossa!
NA ADOLESCÊNCIA,
peguei uns trocados e comprei os chicletes mais baratos da vendinha.
Não era um Babbaloo, claro que não. Lembro que, na época, paguei 5 centavos em cada e o Babbaloo e o Big big passavam de 20 centavos.
Estava no ônibus, sozinha (leia-se, sem conhecidos) e fiz uma bola vistosa.
Ela estourou na minha cara. Como o chiclete era muito barato e, por consequência, de péssima qualidade e difícil de desgrudar. Tive a genial e nojenta ideia de tirar o chiclete mascado da boca e usá-lo como removedor de tudo o que ficou grudado na minha cara. Confesso que a ideia era promissora. Mas vai e me entra um menino do bairro no ônibus.
Minha reação foi cobrir o rosto com as mãos e fingir que estava dormindo.
E o chiclete? Colei embaixo do banco…